na face um vestido
de águas secadas
vestígios do amparo
camadas de falta

Fotografia: José Neto
Poema: Dheyne de Souza
na face um vestido
de águas secadas
vestígios do amparo
camadas de falta

Fotografia: José Neto
Poema: Dheyne de Souza
é o tempo a caminho
a ausência no trânsito
a finitude dos carros
e as janelas transbordando
saudades que não tiveram
um assento.
esgotar no teu olho
uma banheira de verbos
na língua
uma chuva de telas
em branco
na palheta de teu dorso
colorir no teu riso
um pedaço de devaneio
nos dentes
mordidas de espaços
no vulto
das linhas que escapam
do corpo
arremessar nos teus vãos
escandidos de pó
um beijo de escândalo
um gosto arranho
sussurro bruto
e iscar a suspensão
do avesso
do teu Outro.
eu posso apontar a parte de mim que te perde,
o vão que de mim se consome,
a mão que do teu ar ressona
eu posso emprestar a dor que do meu olho sobra
o canto que do meu lábio morre
a voz que é silente nas horas
E dessa ausência que é carne, calar.
E desse tempo que cai,
engolir.