Dheyne de Souza nasceu. Foi em 1983. Era prematura, miúda, afeiçoada ao choro, depois ao rastro disso talvez, e, dizem, não muito afeita a risos, nem a todos. Cresceu. Um pouco. Miúda ali, calada acolá, pequena, fala sim. Acho que ela tem lados diabólicos, ora, todos têm. Creio que omite muito, ora, vamos, quem não? Imagino que sofra. – E?
Ela confessou-me não tão recentemente que lida com ela de maneira pacífica quase sempre, ultimamente, pois aprendeu a rir um pouco mais de si, quando, por exemplo, emaranhada em vírgulas, dá-se conta que nem usa muito til, o cômico fura e nisso não raro atormenta, e nesse som de esquina, para. Por isso precisa do só, da nuvem que passa, que sempre passa, do olhar que a vaca corta numa fatia muito simples do vento, no torto do outro caído no cansaço de um dia ameaçadoramente igual, no riso mentido da folha que solta vazia, no osso do verso.
Adiantou-me também, de viés, que enfrenta momentos de guerra, de sombra, de sonhos abertos. Corta o avesso dos pulsos, morde a língua na prosa, bate a cabeça nas paredes e não-rimas, mas, diz, o pior é quando se maltrata em verbo bastante, ela arranha o que não devia, o que não podia, e o que depois se ocupa em soprar. Amável.
Eu acredito que não seja rouca, ainda.
Colabora em Histórias Possíveis, nós, sós, ombros e Vida Miúda
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