mediocontos I

era uma fotografia amassada.
não, não havia rostos. pernas pés barras de calça rasgos.
levantou-se da cadeira do bar. roubou um cigarro da outra mesa vazia. passou pela pista de dança como se aquilo não tivesse som. sentou-se no meio-fio.
eram três horas da madrugada.
pessoas vestiam jeans ou nada.
táxis dormiam.
tirou o isqueiro do bolso.
cigarro na boca.
e ocorreu.
o olhar quando para.
não importa onde quem o quê.
tirou a fotografia do bolso e começou a nomear os corpos.
não soube quanto tempo ali, mas, quando tirou o cigarro da boca para acender, saiu com a pele do lábio.

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