mediocontos iv

não sabia o que dizer depois de tantas honras tantos méritos tantos nomes
pediu licença
a multidão se afastou
também não sabia para onde ir
afastou-se para a esquerda
lembrava de algum modo que a esquerda lhe era mais propícia
mas não sabia por que
viu um café que parecia parisiense
e aquilo estranhamente lhe soou familiar
talvez fosse alguma celebridade, ator de cinema, cineasta, empreendedor cinematográfico
de algum modo também aquilo lhe soava película
pediu um café
mas antes de a xícara pousar
naquela mesa dura amadeirada espelhada podia ver o seu bigode
enquanto se perguntava de onde raios tirou aquele bigode
uma multidão se formou
sequer experimentou o café
que sabor teria jamais soube
jogou a mesa com glamour e rosas no primeiro flash
socou a cara mais próxima com uma esquerda imponderável
chutou o equipamento maior
e cuspiu no garçom engomado
nunca soube dizer por que
nem para onde estava indo

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