lastro da lesma

“) escrever como quem constrói um labirinto |”
(Micheliny Verunschk)

no decorrer do passo, a língua cede. cede porque tropeça, porque sobeja, porque lambe, me pergunto. porque lambe a língua. digo, enquanto pastamos todos, poucos regurgitando, enquanto esperamos todos, digo, essa espera trôpega, batendo em semáforos, orações, códigos, faces. fascículos de desgraças, obras completas do belo, tijolos de ameaças, muros de seres, enquanto nessas latrinas latrinas de gente em gravatas, sem nenhuma -sofia na alça, uma terceira guerra de golpes
e eu em mim me pergunto muito depois de dormir
onde a língua cede o passo que não me acompanha nos pés
onde a língua, o verbo, a cor
do som
do tom
da voz

no decorrer do passo, a língua é sede. sede porque onera, porque almeja, porque trilhos cansam. e por que a língua lambe, me pergunto. porque lamber é como olhar a lesma. porque lamber é esse tempo que limpa o pulmão da neblina enquanto a lesma quase não se moveu. porque lamber é mover os dedos da língua. é o verbo que bate nos dentes. o verso que arranca do urro silêncio. a lombada do tempo
a língua

o labirinto da escrita

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