Caio no nado
Janeiro 22nd, 2012 § Deixe um Comentário
Caio, o que é que pensa quando aguarda um pouco só? Um poço limpo no escuro do íntimo? Uma voz que guia no silêncio da língua? Uma mão que acena sorrateira no abalo? O que te faz pensar, Caio, que isso que te move são guelras que não sabem de outro modo? O que te faz mover, Caio, se isso que te firma são paredes de lodo? Pensa um pouco e cede, Caio, desce, Caio, caia que a rede é uma espécie de medo que tem no zelo janelas com flores. Veja bem, Caio, que o casulo nem sempre é terreno que se pise isento de embora. Caio, que a ausência de tua pele na folha de teu passo na rima de teu afago no verso é como asfixia de texto anestesia de ponto, Caio, queda de anseio
de nada a nado
caio na fôrma pro som
Janeiro 12th, 2012 § 2 Comentários
caio me conta o passo que sabe a tormento caio me compra o traço do antelamento e banha de foz essa sede de fé. caio que quando esmorece eu quase me perco e enquanto caio procuro teu braço teu laço tua sombra me perde e nessa dança que é um silêncio e nessa ausência de fôrma pro som caio em mim que é um tu de volúpia e já teu ego me diz inconsciente que sou do esmalte o que vai embora. é o cheiro impetuoso da ira. é o beco incestuoso do mito. é a coroa criminosa da língua. tentando reinar nossos corpos terrenos. eu só quero pedir de joelhos e vícios não me quede sozinha nessa massa de sons.
Diálogos
Janeiro 2nd, 2012 § Deixe um Comentário
Poema da Dheyne de Souza aqui:
http://www.balaiodenoticias.com.br/
Agradecimento grande ao editor da revista eletrônica Balaio de Notícias: Paulo Lima.
vento oblíquo
Dezembro 15th, 2011 § 2 Comentários
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a janela queixa
a chuva dissimulada
mas vem o vento
oblíquo
e cala
.
Caio
Dezembro 4th, 2011 § 5 Comentários
da proibição
Eu te proíbo, Caio, do Outro. Eu te proíbo, Caio, de desatinar todos esses degraus de pele escama calcário quando achar que está forte porque
pensa na queda do outro e é nessa hora, Caio, tudo, que quando inevitavelmente – sim – cair – de novo –, Caio, que te verás sem roupa, sem corrimão, sem luz e então,
Caio, por não te proibir dos porões e das nuances que tateia displicentemente tão bem escuros e ainda assim tropeços
aí, Caio,
não me venha com essa tua cara amanhecida essa roupa limpa e esse ritmo de estorvo demente não me venha, vá, com mesuras que a culpa não é de ninguém nem minha senão tua e do nome como sempre como rasgo como
proíbo até a sua respiração
fora do prumo. Eu te proíbo, Caio. a queda que for a mesma nesga. Eu te proíbo Caio a carne que escapa do lábio o molho que pula do cílio o ritmo que dança no queixo a pálpebra que mima o ladrilho e te proíbo Caio da ressurreição que compromete o mito eu te proíbo Caio cair do rito do ricto e disso também que disfarça na rima o antes do dito
até a licença poética o furo da regra o prato a bebida a poesia é a ameaça vingada do que eu proíbo
Tradução: Luiz Leitão
Novembro 19th, 2011 § Deixe um Comentário
Tradução: Luiz Leitão
Caio, what do I do with all this lucidity that I no longer know where to import the costumes? And what I detest, Caio, is in your ethics. In fact, my extreme clairvoyance of everything behind your shells. I unveil them one by one, thus so easily that what makes me progress is advancing towards the bowings, I provide inventing possible shortcuts, but, look, Caio, things are exactly as I think they are and it’s not a bit easy to placate the tumult that shouts like tumult a multitude of pretexts, excuses, subterfuges. Come here, Caio, let’s stop just for a while stepping on this wasteland that when we rain the histories sprout and the roots kind of break the verbs. I know your deviations from the standard look. I know where your commas wander, where your intervals run by, your dots prowl, at random your slag. So, Caio, let’s put our very bodies aside as to simulate we have lost the key of the back.
Caio e costas
Caio, o que faço com toda essa lucidez que já não sei de onde importar os costumes? E o que detesto, Caio, está na sua ética. Na verdade, a minha extrema clarividência de tudo que está por trás das tuas cascas. Eu desvendo uma por uma, assim tão facilmente que o que me faz progredir é o avanço na direção das mesuras, cuido inventar possíveis atalhos, mas, veja, Caio, as coisas são exatamente como eu acho e não é nada fácil aplacar o tumulto que grita feito tumulto uma multidão de pretextos, escusas, rodeios. Vem aqui, Caio, vamos deixar só um pouco de pisar nesse terreno baldio que quando chovemos as histórias brotam e as raízes como que arrebentam verbos. Eu conheço os teus desvios do olhar padrão. Eu sei onde erram suas vírgulas, aonde correm seus intervalos, perambulam os seus pontos, a esmo tuas escórias. Então, Caio, vamos deixar de lado nossos mesmos corpos que é pra simular que perdemos a chave das costas.
LLENA DE NOCHE
Novembro 16th, 2011 § 1 Comentário
poema | aurora leonardos | auroraleonardos@gmail.com
collage | dheyne de souza | d.pequenosmundos@gmail.com
traducción | gladys mendía | mendia.gladys@gmail.com
CHEIA DE NOITE
Eu te esperei a noite inteira
o meu desejo rondando a tua ausência
cabana enluarada
com sua botija ao pé da sala
Deves ter chegado eu já dormida
exausta de tanto sonhar contigo
Mesmo assim a minha pele ressequida
se refaz salpicada por tua saliva
e a tua língua ressuscita
o que há de bom em mim
Quando eu me entrego
ao teu enredo vulcânico
o meu corpo é teu e nos tornamos
uma só
como um segredo
afinado de boca em boca
Anda me olhar o céu em vôo lascivo
minha sonata com suas ervas delirantes
minha chuva rosada
Deixo escapar o teu nome: Bertha
rio que me bebe
Vem me salgar a noite até que o mar espume
Vem me foder até que a alma transborde
LLENA DE NOCHE
Yo te esperé la noche entera
mi deseo rondando tu ausencia
la cabaña en luz de luna
con su botija al pie de la sala
Debes haber llegado cuando estaba dormida
exhausta de tanto soñar contigo
Igual así mi piel reseca
se renueva salpicada por tu saliva
y tu lengua resucita
lo que hay de bueno en mí
Cuando me entrego
a tu enredo volcánico
mi cuerpo es el tuyo y nos volvemos
una sola
como un secreto
afinado de boca en boca
Mírame el cielo en vuelo lascivo
mi sonata con sus hierbas delirantes
mi lluvia rosada
Dejo escapar tu nombre: Bertha
río que me bebe
Ven a salarme la noche hasta que el mar espume
Ven a follarme hasta que el alma transborde
Novembro 15th, 2011 § Deixe um Comentário
(tentativa II)
o tempo desbota odores
no papel de seda
alhures
as horas atores
ensaiando
pores
no vento
no palco
no lamento do salto
caem
as dores
do papel de ser
a cores
te
Novembro 9th, 2011 § Deixe um Comentário
.
foi aquele
te
displicente
que caiu do teu colo
no meu
nada
no pôr dos sujeitos ausentes


