intervenções de partida
30 Junho, 2009

Cadeados
27 Junho, 2009
Encadeada de esperas, a moça toma um táxi quando deveria pegar um ônibus. Mas isso não tem importância. Não tem importância porque o aço oxidado, porque o tom dado da chuva, porque não há nada sequer bolsos.
O motorista espera como ela também espera aonde ir.
Ele prega no rosto dela uns olhos, um fim de dia, num retrato de fumaça, sol, cadeias estampado nas retinas.
Ela trancada no intervalo entre a janela e o mundo, todos de mãos cerradas.
Ele até abriu a boca, veio som, letra, imagem, freados ali na intolerância da língua.
Ela era uma moça de esperas, parada ali, cadeada no relógio do seu banco.
Não que ele soubesse, a boca somente uma guarda, se o céu prometesse mais chuva, noite, explosão.
Estavam fechados no trânsito, entre um retrovisor embaçado e um banco murcho.
Foi ela quem levantou
o olho
a marcha
o risco:
– Faz o que quiser, por favor?
Foi extremamente uma súplica:
– Faz o que quiser, por favor?
a raiz da sombra
24 Junho, 2009

O homem dos intervalos
16 Junho, 2009
deslocado do mundo, uma luz engastada da sombra, uma madeira repercutida no vácuo, o vão do abismo
Todos os lados da madrugada estancam a tua ausência, com o medo, o frio, a cor da estiagem na carne nua.
Todos os acordes da cidade caindo num dia em que o teu nome, a tua língua, o teu signo tatuavam uma queda e outra. Uma queda e outra. Um pneu e outro. Uma voragem. Sons insones. Eram montes de uma imagem moída. O resto embalado do riso que escapou da falta, o movimento círculo pendido no travesseiro da mesa a saia. O peso do meu escopo, a raiva. O meu mundano o meu vacilo a tua mecha. Colchão desnudo, frestas parcas, ponteiros largos, unhas, não. não. não.
O mundo bate as janelas das horas, freios.
série de birds (acrílica sobre isopor)
15 Junho, 2009





anima
11 Junho, 2009

(acrílica sobre material sintético)
…
é como acordar no espelho
retrair os dedos
e apalpar o vão
arestas
9 Junho, 2009
respirando arestas que deságuam
nos becos
nas foices
nos trocadilhos
do corpo

(acrílica)
A ilusão do tempo
8 Junho, 2009
De onde vejo o mundo vesga
Aonde estou beijo a borda
De onde piso cato vãos
e pinto de cascalhos o breu nas unhas.
vende-se
6 Junho, 2009

(óleo sobre tela, 2009, 90 cm x 100 cm)
poema escuro
2 Junho, 2009
Os passos rindo qual becos
inundados de ilusão de sóis